Fui à Espanha em busca do segredo do sucesso do Tênis Espanhol. Em Madri, pude visitar o complexo "Ciudad de la Raqueta". Em seguida, viajei à Valência, participei da 16ª Conferência Mundial para Treinadores de Tênis - ITF. Escutar aos grandes nomes do tênis mundial acrescentou muito ao meu crescimento profissional. Pude assistir a jogos magníficos no "Valencia Open 500". Assisti jogos de vários espanhóis: Verdasco, Robredo, Feliciano Lopes, Almagro, Ferrer, Ferrero, mas não estava satisfeito, faltava assistir o jogo de um certo suíço. Continuei minha viagem, visitei centros de treinamentos de alto rendimento como a "Equelite" em Villena e a "Sanchez-Casal" em Barcelona, onde pude assistir treinamentos e conversei com treinadores dessas academias, foi mais uma grande experiência na minha vida.
Comprei livros, cds, dvds, revistas na Espanha, viajei à Paris, fui à Roland Garros, pisei na quadra principal e caminhei por todo complexo tenístico, visitei o Tenniseum, museu onde estão preservados todos os feitos da história de Roland Garros, pude voltar ao passado e reviver os grandes momentos do brasileiro Gustavo Kuerten. À noite, fui assistir o BNP Paribas Masters 1000, onde pude novamente presenciar grandes jogos, agora de jogadores franceses como: Tsonga, Monfils, Simon. Mas faltava um suíço.
Então, no 2º dia em que fui aos jogos, pude presenciar o confronto do francês Julien Benneteau que até o momento não ganhou nenhum título ATP e ocupa a 46ª posição no ranking mundial, contra o melhor jogador de todos os tempos, o suiço Roger Federer. Já era prevista uma surra de Federer. Mas o que poucos acreditavam se tornou realidade. Um francês ainda desconhecido, mas que jogava com garra, vibração e muito coração, venceu o "quase" imbatível número 1 do mundo, em emocionantes 3/6 7/6 6/4.
Após o jogo, perguntaram a ele:
- Quando achou que podia ganhar de Federer?
E ele, com a mais humilde das respostas, disse:
- Quando dei o último ace e o jogo acabou!
Ele foi o grande herói do dia, Benneteau chorava e o público todo emocionado aplaudia em pé.
O que aprendi com toda essa viagem? Que sempre devemos lutar para conquistar nossos objetivos, nunca saberemos se vamos conseguir ou não. Mas não podemos desistir, continuar acreditando na vitória é o que vale a pena, e se um dia conseguirmos conquistá-la, poderemos chorar de emoção, sorrir e aproveitar o momento. Ter a sensação de sermos heróis!! Olhar pra frente e continuar a jornada.
André Gonçalves
Ribeirão Preto (SP)
Em 2000, estava participando de um congresso da ITF que me ofereceu a oportunidade de assistir o torneio de Wimbledon.
Chegando lá, desesperado, fui visitando tudo o que podia. Iniciei pelo museu, que fica logo na entrada do portão principal, tirei várias fotos e logo me deparei com Maria Esther Bueno. Posei ao lado dela para uma foto e percebi o quanto ela é querida.
Fui então conhecer o complexo, assisti a vários jogos com muito orgulho de ser brasileiro, pois o Guga era o número um do ranking. Depois, fui procurar o Guga e o Larri (Passos), para ver o que eles estavam fazendo. Pensei: com certeza estão treinando! Então fui ao practice area, o local onde você encontra os jogadores se aquecendo para os jogos, um lugar onde se percebe diferenças nitidas dos juvenis para os profissionais, e lá estavam Guga e Larri Passos. Fiquei no local por uns 50 minutos, e a rotina era a mesma: Guga iniciava um bate bola de fundo depois finalizava com uma paralela, em alta intensidade. Depois de uns 10 minutos, ficava ao lado do Larri ouvindo as informações e arrumando o tourna grip. Foi uma rotina que se repetiu várias e várias vezes. Como um ritual, Guga sempre arrumava o grip, tirando e enrolando, na tentativa de colocá-lo com perfeição, e Larri orientando com poucos gestos dando a entender que estava escondendo um segredo dos adversários.
Até que eles terminaram o treino. O Prietto veio junto e, só pra sacanear, olhem o que ele fez com a minha foto e do meu amigo Elson Longo.